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Fronteiras de tensão: Política e violência nas periferias de São Paulo 2018-01-16T13:19:12+00:00

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Fronteiras de tensão: Política e violência nas periferias de São Paulo

Gabriel Feltran

Formato: 16×23cm | 376p. | 2011

O livro – oriundo de tese de doutorado vencedora do Prêmio Anpocs 2009 – apresenta os resultados de uma pesquisa etnográfica realizada entre 2005 e 2008, depois complementada entre 2009-10, no distrito de Sapopemba, São Paulo. Partindo de narrativas e trajetórias de moradores, famílias e associações de bairros do distrito, o texto analisa as tensões entre as periferias da cidade e o mundo público em São Paulo. As chaves para essa compreensão são as transformações ocorridas no trabalho, na família, na religião e na política, que condicionaram a “expansão do mundo do crime”, a “expansão da gestão social” e as conexões entre a “violência rotineira” e a “violência política”.

Paulo Artur Malvasi

As periferias e os setores populares em São Paulo foram tradicionalmente estudados pela literatura sociológica e antropológica dos anos 1970 e 1980 a partir da chave da política dos movimentos sociais urbanos. A partir dos anos 1990 e 2000, entretanto, uma virada histórica colocou as mesmas periferias figurando no debate público como lócus da violência e do crime. Ao se debruçar sobre as dinâmicas do poder nas margens do social – dinâmicas que articulam duas categorias – em Fronteiras de Tensão: política e violência nas periferias de São Paulo Gabriel de Santis Feltran inova e avança nos debates ensejados nas periferias da cidade contemporânea. Simultaneamente ao problema do crime e da violência no tecido social das periferias, incluída no texto o autor enfrenta a questão do direito e da cidadania oriunda dos movimentos sociais urbanos. Da tese do doutorado resultou seu presente livro, um estudo vigoroso e original sobre as transformações nas periferias da cidade de São Paulo nas últimas décadas. De fato, é o conjunto que faz sobressair esta obra que, recente no campo de estudos da sociologia e da antropologia urbana, já é referência para quem – no início do século vinte e um – pretenda olhar de forma consistente e atual as “periferias das cidades”.

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Daniel Veloso Hirata

Acaba de ser publicada a premiada tese, recém convertida em livro, de Gabriel Feltran: “Fronteiras de Tensão – política e violência nas periferias de São Paulo”. Fruto de uma pesquisa conduzida entre os anos de 2005 e 2010 em três bairros contíguos da região de Sapopemba, zona leste de São Paulo, o livro situa-se entre dois campos disciplinares que a especialização da sociologia costuma manter separados, mas o recorte teórico e empírico do trabalho de pesquisa se esforça em estabelecer as relações: de um lado o que se chama comumente estudos de movimentos sociais ou do associativismo popular, de outro a violência urbana. O livro já valeria a leitura somente por essa tentativa de colocar em relação duas dimensões que aparecem, em um senso comum sociologicamente informado, separadas quase como sendo o vício e a virtude das periferias pobres da cidade. Mas o trabalho vai além: por meio de uma etnografia feita com grande competência, procura trabalhar suas próprias questões em diálogo com as atuais discussões em cada área específica através de suas relações, que aparecem tanto na problematização das questões de interface entre violência e política, como nos percursos dos entrevistados.

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Luiz Antonio Machado da Silva

Esse livro resulta de pesquisa etnográfica premiada pela Anpocs e definida pelo autor como “uma tradução do vivido”. Trata-se de um painel denso e pulsante da história recente da cidade de São Paulo, construído com base em longa imersão pessoal na realidade de Sapopemba. Sendo uma tradução, deve ser entendido não como retrato, mas como fabricação que pode ser expandida e/ou alterada indefinidamente. Feltran convida o leitor a um diálogo crítico com seu livro, que se quer humano, incompleto, polêmico – mas não ficcional, pois o material empírico a sustentar o argumento é enorme. O autor introduz a dimensão temporal em seu quadro de referência a partir de longo contato com os jovens de Sapopemba, cujas práticas lhe impuseram uma reflexão sobre a relação entre mudanças socioculturais e diferenças geracionais nas ideias sociopolíticas. Disso resulta que o presente da etnografia se forma com profundidade histórica, o que faz da pesquisa uma reconstrução da saga dos moradores de Sapopemba.

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Livia de Tommasi

A leitura do livro de Gabriel de Santis Feltran é uma leitura grata. Com uma narrativa leve e apaixonada, ele aborda temas complexos e bastante controvertidos, como violência, “mundo do crime” e gestão do social, dando ênfase às interfaces com a política. O texto é uma demonstração clara de que é possível fazer sociologia sem ter que recorrer a narrativas inteligíveis (e digeríveis) apenas pelo pequeno círculo dos profissionais da academia.

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Taniele Rui

Verbetes do dicionário alçados à epígrafe avisam: fronteira de tensão é uma fronteira viva. E fronteira viva é daquele tipo que é fruto do paulatino processo histórico, retraçada através de choques ou de lutas (muitas vezes, armadas). Não é visível em mapas; não há placas a indicar seus contornos; está longe de ser uma linha divisória, uma raia, um marco fixo, ou a representação do fim. Sobretudo, uma fronteira viva não está morta, portanto, não está tranquila; ao contrário, impregnada de incertezas, é constituída pelo desassossego – o nome íntimo do conflito.

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Aline Chaves Rabelo e Everton Rangel

Fronteiras de tensão, de Gabriel Feltran, é mais do que um convite à reflexão sobre os processos de mudança pelos quais as grandes cidades brasileiras e suas periferias passaram nas últimas décadas. Sobressai nesta pesquisa a análise das tensões e das violências decorrentes do processo de inscrição da população jovem de Sapopemba, periferia consolidada da Zona Leste da cidade de São Paulo, no mundo público. O livro nasce de uma etnografia das fronteiras que dividem o espaço urbano, bem como dos fluxos e dos sujeitos mediadores que as atravessam. A abordagem de Feltran revela-se profícua, uma vez que parte da desnaturalização do “dever ser ” do tecido social e suas demarcações polarizadas.
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